sábado, 26 de maio de 2012

Novidades do Mapeamento

Depois de termos dedicado um bom tempo discutindo os procedimentos do mapeamento do ciberespaço caririense finalmente começamos a ir a campo.

Primeiramente visitamos os veículos que já havíamos mapeado no ano passado (rádios, tvs e jornais impressos) e que têm site ou blogs. O segundo passo foi criar critérios de seleção dos demais sites e blogs que entraríamos em contato com seus responsáveis.

A discussão desses critérios rendeu várias tardes de debate e pesquisa. Mas tanto trabalho serviu para que chegássemos a uma lista de 20 "ciberendereços" que já começamos a mapear.

Ah, e entre tudo isso ainda tiramos um tempinho para produzir três artigos científicos que serão apresentados no mês de junho no Intercom - NE.

As informações sistematizadas em 2011 deram origem aos seguintes trabalhos:

  • Radiodifusão Comunitária: uma análise da Rádio Juazeiro FM (Autoria: Naiara Carneiro; Orientação: Ricardo Salmito);
  • Um Estudo Sobre a relação da Rádio Iracema de Juazeiro do Norte-CE com a Igreja Universal do Reino de Deus (Autoria: Débora Costa; Orientação Ricardo Salmito);
  • Impressões sobre o Impresso: Uma análise do Jornal Gazeta de Notícias, de Juazeiro do Norte-CE (Autoria: Camila Brito e Higor Rodrigues; Orientação: Ricardo Salmito).

Enquanto o congresso não chega continuamos batendo os quatro cantos de Juazeiro, Crato e Barbalha em busca das pessoas que mantém o ciberespaço atualizado em nossa região. 


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Olhar os blogs...

Existe uma coisa muito interessante do projeto do Mapeamento que é a atenção direcionada/debate que a gente realiza sobre os veículos/meios/ambientes comunicacionais. Olhar os blogs de Juazeiro e do Crato, por exemplo, e analisar sua organização, suas ênfases, suas escolhas visuais e temáticas etc tem sido muito rico. A cada dia compreendo mais e mais a importância do projeto de monitoria e do próprio curso de Jornalismo.

Ricardo Salmito

sexta-feira, 23 de março de 2012

Mapeamento recebe colaboração do Prof. Diógenes Luna

Equipe durante a reunião

Na reunião do dia 22 de março o grupo do Mapeamento contou com a participação do professor do setor  de estudos do webjornalismo, Diógenes Luna. A ocasião foi idealizada para problematizarmos algumas questões que ainda estão pendentes antes da ida a campo. 

Uma dessas questões refere-se a que tipo de blogs iremos direcionar a nossa investigação: se apenas àqueles que se propõem a produzir um conteúdo informativo-jornalístico ou também aos blogs pessoais de assuntos e enfoques diversos. Discutimos a importância das análises qualitativas e, se possível, quantitativas.

Outro ponto debatido diz respeito à observação das redes sociais. Ainda devemos aprofundar as discussões acerca desse tema, que mostra-se bastante complexo. 

Na próxima semana iremos discutir o texto "Blogs e seus gêneros: avaliação estatística dos 50 blogs mais populares em língua portuguesa", de Alex Primo. O professor Diógenes irá nos ajudar com a elaboração do questionário, que já foi iniciado mas precisa ainda ser polido.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Duas ideias para o Intercom

O mapeamento de rádios, jornais impressos e televisão, realizado no ano passado, possibilitaram que algumas ideias relacionadas a esses veículos merecessem uma análise mais aprofundada, podendo gerar temas para a produção de artigos ou mesmo para debates. Uma delas foi a forte relação entre as Rádios Centro e o consumo, uma vez que as caixas de som são distribuídas pelas principais ruas do centro comercial das cidades. Essas radiadoras se mantêm exclusivamente por meio de publicidade dos estabelecimentos comerciais e, mesmo sem intenção, as pessoas tornam-se ouvintes. Isso nos leva a perceber como mídia e consumo se complementam, pois os veículos de comunicação precisam da publicidade para se manter financeiramente e a publicidade necessita de um espaço para anunciar os produtos. As Rádios Centro mapeadas foram: Rádio Centro Maciel Silva, de Barbalha; as Rádios Centro de Crato e Juazeiro do Norte, que são do mesmo proprietário.

Outra ideia para a produção de um artigo para o Intercom seria um estudo de caso sobre o Jornal Gazeta de Notícias, que traz elementos que merecem destaque. O Editor chefe é também repórter, diagramador, fotógrafo e responsável pela manutenção do blog. As únicas tarefas designadas aos outros funcionários estão na produção dos artigos, elaborados por colaboradores, e no conteúdo noticioso, fruto de releases recebidos e publicados no jornal. É notório como boa parte do que está presente no exemplar da Gazeta de Notícias é de releases. Diante dos critérios de noticiabilidade do Jornalismo, a Gazeta de Notícias cumpre mais uma função de entretenimento.

A publicidade tem espaço significativo. Durante o mapeamento em 2011, uma análise feita em algumas edições do jornal constatou que a quantidade de anúncios de empresas privadas é bem maior do que os anúncios do governo, porém o espaço reservado a este último supera o espaço do primeiro. Isso ocorre por que os anúncios do governo ocupam duas páginas inteiras, enquanto que as empresas privadas ganham espaços específicos em determinada página.

Sugestões são muito bem-vindas!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Rádio e Religião


O mapeamento dos veículos convencionais (rádio, TV, impresso) realizado ano passado demonstrou, entre outras constatações, a forte relação que há entre mídia e religião no Cariri. Isso não é tão surpreendente diante do fato de que a região se destaca nacionalmente pela sua religiosidade. Mas essa relação é bem mais forte - e perigosa - quando se trata da mídia radiofônica, onde podemos observar várias emissoras que têm influência direta de instituições religiosas, como Rádio Araripe e Rádio Educadora, ambas do Crato, e Rádio Padre Cícero e Rádio Iracema, de Juazeiro do Norte.

Diante dessa realidade, e visando compreender melhor as causas e consequências da associação entre comunicação e religião, pretendo aprofundar os estudos sobre uma dessas emissoras (ou mais de uma, talvez) como tema de um artigo para o XIV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste será realizado de 14 a 16 de junho de 2012 na FBV - Faculdade Boa Viagem, em Recife - PE.

Para uma melhor apreciação do tema, disponibilizo abaixo um pequeno resumo sobre a relação dessas rádios com igrejas:

Rádio Araripe: Já realizamos um artigo ano passado para o Intercom Nacional sobre essa emissora, analisando justamente a dimensão da religião, como também da política.

Rádio Iracema: Tem 60 anos de fundação, sendo uma das mais antigas da região. A concessão da emissora pertence atualmente ao advogado Francisco José Vieira de Figueiredo Correia, que reside em Goiás. Desde junho de 2009 a rádio está completamente alugada à Rede Aleluia, que pertence ao grupo Record, propriedade do empresário e televangelista Edir Macêdo. Ele também é o representante maior da Igreja Universal do Reino de Deus - IURD, corrente religiosa muito próspera no país, que possui diversos veículos de comunicação. 
Programação: 100% religiosa.


Rádio Educadora do Cariri: Fundada em 15 de fevereiro de 1959 pelo então bispo do Crato, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos. A emissora faz parte da Fundação Padre Ibiapina, entidade filantrópica sócio-educacional da Diocese do Crato, em atividade desde 1868. A Fundação Padre Ibiapina também é responsável por órgãos na área de educação, saúde, entre outros, como o Colégio Diocesano e o Colégio Pequeno Príncipe. 
Programação: 44% destinada a temas religiosos.

Rádio Padre Cícero: A Rádio Padre Cícero é uma concessão da Fundação Educativa Salesiana Padre Cícero, administrada pelos padres salesianos e sem fins lucrativos. A emissora começou como comunitária, mas foi fechada. Posteriormente, em 2004, tornou-se educativa, sob o comando do padre salesiano Luís Sampaio, líder da Paróquia Sagrado Coração de Jesus na época. A rádio Padre Cícero localiza-se no interior da Igreja do Sagrado Coração de Jesus (Salesianos), num pavimento no andar superior. 
Programação: 67% programas religiosos.


Aceito sugestões! 

Diálogo com prof. Diógenes

Nesta quinta-feira (20/03) 14h teremos a participação do Prof. Diógenes Luna (do setor de estudos Jornalismo Digital) no encontro do grupo de Mapeamento.
Ricardo Salmito

domingo, 11 de março de 2012

Mapeamento, o retorno!


Após concluirmos as metas de 2011, iniciamos em 1º de março de 2012 mais uma etapa do Mapeamento das Comunicações no Cariri. Em 2011 nos propomos a identificar e mapear as rádios, emissoras de televisão e jornais impressos das três principais cidades da região: Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. Resultado: foram visitados um total de 19 rádios; 5 emissoras de televisão (sendo duas com sede local e três sucursais); e também 5 jornais impressos (sendo três com sede local e duas sucursais). Uma das últimas tarefas de 2011 foi a observação etnográfica individual de um veículo específico, atividade desenvolvida por cada um dos quatro monitores. Após a entrega de todos os relatórios produzidos no decorrer do ano na Pró-reitoria de Graduação (Prograd), obtivemos a renovação do projeto.

Uma nova seleção de monitores foi feita, dessa vez com a participação de alunos do 3º e 5º semestres do Jornalismo. Foram 4 vagas, ocupadas respectivamente por Bruna Oliveira, Camila Brito, Débora Costa e Naiara Carneiro. Porém, um quinto monitor disponibilizou-se a participar como voluntário, o Higor Rodrigues. O projeto permanece coordenado pelos professores Ricardo Salmito e Luís Celestino, além de contar com a participação extraordinária do professor Anderson Sandes e de demais professores e alunos que sentirem-se interessados em acompanhar nosso trabalho.

Para 2012, pretendemos mapear a comunicação na web (blogs, sites, etc.), as assessorias de imprensa e as formas de comunicações populares e/ou alternativas. Trabalho complexo que exigirá de nós um forte embasamento teórico e discussões que norteiem essa tarefa. Nossos encontros semanais estão ocorrendo no Campus da UFC Cariri. Contribuições, colaborações, críticas e sugestões serão bem vindas!

domingo, 6 de novembro de 2011

Bem a (en)calhar!


A imagem da máscara da personagem V (V for Vendetta) me persegue por onde vou. Seja nas gôndolas dos supermercados, das cafeterias e das bancas de revista, a capa da Veja sobre a necessidade de se indignar contra a corrupção (desde que não seja a corrupção da própria mídia grande) se sobressai entre alhos, bugalhos e Arquitetura & Construção. 

É precipitado afirmar categoricamente que o encalhe de jornais e revistas nas gôndolas dos supermercados e nas bancas de revista do Cariri é a prova cabal da falta de leitura dos meios impressos na região. Primeiro porque se está ali, alguém - ou “alguéns” - deve comprar e, suponho, ler. Segundo porque nem sempre esses jornais e revistas encalham. Já procurei edições do jornal O Povo nas bancas do Cariri no domingo e constatei que todas haviam vendido todos os exemplares que chegaram. Mas não é arriscado dizer que a quantidade de pessoas que lêem jornais e revistas é pequeno. 

Um simples olhar como única fonte atrai a tentação da conclusão impressionista, xingamento para um pesquisador. Portanto, aqui não falo como pesquisador. Por sinal, só uma pesquisa séria e profunda poderia responder qual a recepção dos caririenses a revistas “de fora”. Justiça seja feita, em todo o país a leitura de jornais e revistas nunca chegou sequer perto da totalidade da população independentemente de faixa etária, classe ou cor do cabelo, mas tem entre seus leitores a classe formadora de opinião, crítica e dirigente, seja lá o que esses termos queiram dizer hoje em dia. 

O pesquisador Wilson Gomes, em seus ácidos, irônicos e inteligentes tweets, provocava outro dia: é verdade que o jornalismo que se faz na Veja mereça questionamentos por vários motivos, mas é fato que matérias divulgadas pelo hebdomadário ajudaram a derrubar cinco ministros. Somente. Quantos são os leitores de Veja e outras revistas semanais no Cariri?

Como se dá a recepção da mídia grande na região? Há leitores de jornais ou revistas estrangeiras? Qual a influência desses veículos na esfera pública local? Ou sucumbiremos à resposta nunca dantes verificada de que o que vale mesmo é a internet nos dias de hoje. A reflexão sobre a recepção de conteúdos midiáticos externos acontece também com a TV principalmente se contarmos a quantidade de residências com antenas parabólicas instaladas. Enquanto isso, sigamos vivendo a distopia de tomar café ou comprar bananas sendo observados pelo sorriso da máscara do V de Vingança. 

Luis Celestino é jornalista e autor do livro A Fome na Imprensa. 

domingo, 30 de outubro de 2011

Pré-mapeamento das TVs

Professor Paulo Eduardo e monitores (Foto: Ricardo Salmito)  
Estamos chegando à última etapa do mapeamento de mídias planejado para o ano de 2011. As TVs da região metropolitana do Cariri serão mapeadas durante o mês de novembro. Para tanto, assim como foi feito com os veículos anteriores (rádios e impressos), passamos antes por uma orientação teórica.

Recebemos a visita do professor Paulo Eduardo Cajazeira, do curso de Jornalismo da UFC-Cariri, para uma conversa acerca de alguns aspectos da TV. O professor Paulo leciona a disciplina de Telejornalismo e tem experiência profissional na área.

Durante a visita, apresentamos ao professor o andamento do Projeto de Mapeamento e conversamos sobre algumas questões que o mesmo considera importante serem analisadas durante o processo de visita aos veículos televisivos.

Posteriormente, discutimos dois textos e produzimos o questionário a ser utilizado. Em breve marcaremos as vistas e iremos a campo para a produção dos relatórios.

Quem lê alguma notícia?


Devo confessar publicamente. Antes mesmo de chegar ao Cariri, onde vim morar ano passado, vivia um dilema: como seria ser professor de jornalismo impresso numa região que não tem um jornal impresso diário? Já supunha e rapidamente minha suposição se confirmou: a esfera pública midiática caririense é, sobretudo, o rádio. O dilema ainda não se dissipou em mim se é que dissipar é o verbo correto quando nos referimos a resolver nossas questões pessoais.

Algumas percepções sobre o hábito da leitura foram se consolidando à medida que comecei a entender o ritmo e a dinâmica locais. Realmente a região não tem um jornal diário e, consequentemente, não tem o hábito da leitura diária de jornais. Isso mostra que a área de influência dos jornais “da capital” é bem menor do que se pode supor, circunscrevendo-se realmente a uma pequena parte da população cearense, majoritariamente localizada em Fortaleza (ouso dizer que localizada nos bairros de classe média e alta). Sua distribuição no Cariri é irregular e o horário de circulação lembra a famosa frase “jornal que chega tarde na banca só serve para embrulhar tomate na feira”. 

Sempre pergunto qual a frequencia diária com que os alunos lêem jornais e especificamente o que lêem. A maioria não se envergonha em admitir que o jornal impresso não faz, nunca fez e, ao que tudo parece, nunca fará parte da vida deles. Mas essa admissão traz um adendo: os jornais, para a maioria, são desinteressantes, distantes de suas realidades, acríticos e em nada acrescentam para suas vidas. Quem vem primeiro? O ovo ou a galinha? Já em relação ao que lêem, fica evidente que a internet bate fácil qualquer concorrência, mas essa leitura não se concentra necessariamente nas versões digitais dos jornais.

Enquanto em boa parte do mundo o debate é sobre o desaparecimento dos jornais no século XXI, o debate no Cariri (apesar de o primeiro jornal juazeirense ter circulado em 1909) é sobre se um dia eles passarão a ter relevância no seu dia-a-dia. Espero conseguir avançar essa reflexão em outros posts ainda sobre a leitura dos jornais, revistas e outros meios impressos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Monitores apresentam trabalhos no III Encontro Universitário da UFC Cariri

O III Encontro Universitário da UFC Campus Cariri teve início nessa terça-feira (26/10) com apresentações de trabalhos na forma oral.

As monitoras Naiara Carneiro e Débora Costa, orientadas pelo professor Ricardo Salmito, apresentaram os respectivos trabalhos:
  • Comunicação no Cariri: um estudo de caso sobre a Rádio Barbalha FM
  • Um estudo sobre as relações da Rádio Araripe de Crato-CE com a política e a religião.
A noite, será a vez do monitor Antonio Pinheiro, orientado pelo professor Luis Celestino, com o trabalho:
  • Práticas Comunicacionais no Cariri: uma análise das rádios de Barbalha.
Amanhã (27/10), no período matutino, a monitora Camila Brito, também orientada pelo professor Celestino, apresentará o trabalho:
  • Uma análise sobre as rádios do Crato.
Ainda no dia 26/10 (quarta-feira) haverá a apresentação do pôster :
  • Projeto de Mapeamento das Práticas Comunicacionais da Região Metropolitana do Cariri.
O pôster foi feito em co-autoria pelos quatro monitores do projeto e estará disponível para apresentação a partir das 18h30min, até as 20h30min.

As 14h30min da quarta-feira os monitores e professores participarão de um debate sobre Universidade, Conhecimento e Cultura com a Profª. Drª. Inês Sampaio.

domingo, 23 de outubro de 2011

O papel que nos cabe

Desde que o trabalho do mapeamento das mídias do Cariri cearense se iniciou, foi ficando cada vez mais evidente a importância de um curso de Comunicação Social na região. Com a proximidade da conclusão dos trabalhos, chegam momentos de reflexão, avaliação e revisão do que até agora tem sido observado.

Não há um jornalista sequer com formação de nível superior atuando em qualquer das emissoras de rádio, sejam elas educativas, comunitárias ou abertamente comerciais. Sendo o rádio ainda o veículo mais influente entre a população caririense, pela sua penetração e audiência, não é arriscado afirmar que há necessidade de uma qualificação maior daqueles que são responsáveis muitas vezes por serem a única fonte de informação na vida de milhares de pessoas.

Este dado se torna alarmante quando cruzado com o dado da pertença da propriedade dos veículos, ainda majoritariamente nas mãos de políticos e de igrejas (sim, isso mesmo, de igrejas!), o que influencia uma programação pouco diversificada e, frankfurteanos à parte, alienante.

Lembro de ter sido entrevistado por um repórter de um desses programas de rádio de grande audiência local (o horário nobre por aqui é o meio-dia) e o jovem simplesmente não trazia qualquer pergunta formulada facultando a mim dizer o que quisesse. Um diálogo surreal se estabeleceu a partir de então.

Recordo-me ainda dos debates acontecidos após a apresentação de uma das bolsistas do projeto – a competentíssima Débora Costa – no congresso da Intercom em Recife em setembro. Quando apresentou a realidade das rádios caririenses, a partir de um estudo de caso específico, acabou ouvindo de estudantes de diferentes estados do Brasil a informação de que havia retratado algo que era semelhante país afora.

Esses breves relatos acenderam em mim e em meu colega coordenador do projeto, Ricardo Salmito, a necessidade de criação de uma disciplina para o curso que discuta a realidade da comunicação local. Da mesma forma, será necessário abrir um debate em todo o curso sobre os estágios em veículos que não detêm jornalistas em seus quadros. Estamos diante de um dilema: permitimos aos alunos o estágio nesses locais acreditando na mudança a partir da presença deles; ou evitamos a presença deles diante de uma possível distorção da formação já que não haverá um acompanhamento de um profissional qualificado?

A primeira parte do trabalho de mapeamento deve ser concluída em dezembro. Ainda falta um bom pedaço de caminho para mapearmos todos os veículos e práticas comunicacionais locais, mas fica em mim a convicção cada vez maior da contribuição do curso de Jornalismo – tão maltratado pela falta de planejamento dos gestores da Universidade – para uma melhor comunicação da região.

Luis Celestino
Jornalista, coordenador do curso de Comunicação Social da UFC Cariri e autor do livro “A Fome na Imprensa”. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Impressões sobre o impresso


Após um período dedicado às rádios chegamos agora no universo do impresso caririense. Inicialmente tomamos o mesmo procedimento de leitura de textos para embasamento teórico e para a formulação de um questionário que possibilitasse a coleta do maior número de informações pertinentes ao projeto.

Além disso, buscamos contactar algumas pessoas conhecedoras da realidade do jornalismo impresso na região, pois, diferentemente do rádio, não temos acesso a uma relação de veículos impressos em atividade.

Fomos até o Centro Cultural Banco do Nordeste em busca dessas informações, uma vez que o centro promoveu no ano de 2009 uma exposição sobre o centenário do jornal "O Rebate", primeiro impresso de Juazeiro do Norte. Lá, recebemos a indicação de dois principais nomes com os quais conseguiríamos mais informações: os escritores Daniel Walker e Renato Casimiro.

O contato ainda não foi feito, porém, já iniciamos o processo das visitas técnicas. Toda a equipe do mapeamento, incluindo o professor de História do Jornalismo Brasileiro e de Jornalismo Impresso I e II, Anderson Sandes, foram até a sede do Jornal do Cariri. Conversamos com a chefe de redação Jaqueline Freitas. 

Encontros Universitários 2011


A UFC Cariri recebe até o dia 02 de setembro trabalhos para o III Encontro Universitário.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Artigo do grupo de Mapeamento é aprovado no Intercom Nacional


Após a visita técnica à rádio Araripe da cidade do Crato, a equipe do Mapeamento vislumbrou a possibilidade da produção de um estudo mais aprofundado acerca de alguns aspectos percebidos na estrutura e funcionamento da citada rádio.

O artigo "Um Estudo sobre as Relações da Rádio Araripe de Crato-CE com a Política e a Religião", como o próprio título esclarece, é uma análise baseada na atual programação da emissora com ênfase na política e na religião.

O Intercom Nacional é o maior congresso de comunicação da América Latina e esse ano acontecerá de 02 a 06 de setembro na cidade de Recife-PE.



terça-feira, 21 de junho de 2011

Grupo do Mapeamento participa da Intercom Nordeste


Durante os dias 15, 16 e 17 de Junho, os monitores do Projeto de Mapeamento de Graduação das Práticas Comunicacionais da Região Metropolitana do Cariri estiveram na cidade de Maceió participando da Intercom. O congresso organizado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (região Nordeste) é um espaço onde os estudantes universitários (como também os já graduados) podem apresentar os trabalhos que desenvolvam em suas universidades.

Nesse sentido, o grupo de mapeamento participou e apresentou na Intercom Júnior (uma das categorias do encontro) tanto o projeto em desenvolvimento - e dessa forma os objetivos, qual o espaço em que estamos inseridos, as futuras perspectivas - como também os primeiros dados obtidos após termos mapeado as rádios da cidade de Barbalha - CE.      

terça-feira, 7 de junho de 2011

1º Encontro Regional de Rádios Comunitárias do Cariri

Foto: Naiara Carneiro
                                                                    
No dia 04 de junho, sábado, a equipe do Mapeamento participou do 1º Encontro Regional de Rádios Comunitárias do Cariri promovido pela Associação Brasileira de Rádios Comunitárias - Abraço CE. O evento foi realizado na cidade de Caririaçu, no Centro de Convenções Adalgisa Borges de Carvalho e contou com o apoio e organização da rádio São Pedro FM.

Estiveram presentes, além dos representantes nacionais e estaduais da Abraço, integrantes de seis rádios comunitárias da região do Cariri: Rádio São Francisco FM (Crato), Rádio Som da Terra (Milagres), Rádio Santana FM (Santana do Cariri), Rádio Novo Tempo (Várzea Alegre), Rádio Triunfo FM (Nova Olinda) e Rádio São Pedro FM (Caririaçu).

O objetivo da reunião foi o de promover a organização interna entre essas rádios, para que juntas possam reivindicar melhorias para essa categoria de radiodifusão. Os participantes compartilharam experiências e discutiram pontos importantes, como a questão da frequência única que inviabiliza o funcionamento de algumas dessas rádios; o debate sobre a independência partidária; a forma de manutenção financeira desses veículos e principalmente o debate sobre conteúdo, conscientizando sobre a importância do diferencial das rádios comunitárias, que devem estar voltadas para a propagação de um conteúdo mais educativo e de acordo com as características da comunidade na qual estão inseridas.

domingo, 29 de maio de 2011

Bate a poeira e dá a volta por cima

Foto: Ricardo Salmito
                                                                 
Na visita à Rádio Araripe nos deparamos com uma estante empoeirada de LPs e um toca discos sem uso. Claro que os computadores e CDs fazem o 'papel musical', mas foi ruim presenciar uma quantidade grande de discos de vinil fora de uso, fora de foco. Diante do nosso espanto e delicadeza com eles, Francildo, o operador de áudio, me presenteou com o álbum de Assis Valente, um dos grandes compositores da MPB.
Já testei e está perfeito o disco. No mais agora é ouvir Camisa Listrada  na voz de Luís de Barbalha:

...
"Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí
Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu parati
Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão
E sorria quando o povo dizia: sossega leão, sossega leão "
...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

“Você diz uma palavra e de repente abre um universo”

Foto: Naiara Carneiro

Foi com a orientação de um sábio moto táxi que localizamos, no alto da cidade do Crato, a Rádio Araripe. “Depois que acaba as casa você dobra a esquerda”. Dito e feito! A paisagem é cercada de verde, de onde se visualiza parte da chapada que dá nome á rádio. O vento sopra suave, trazendo aos poucos os ruídos da transmissão feita ali a poucos passos. Até agora, talvez o lugar mais inusitado para a localização de uma rádio. Não tão inusitado quanto o que encontramos abrigado em seu interior. Vestígios de um passado vivo. Vivo e sobrevivendo. Com sinais de fragilidade, porém fortalecido pela vontade daqueles que dele tomam de conta.

A cada resposta coletada como parte primordial do mapeamento, uma nova surpresa. Dentro do estúdio, durante um musical, presenciamos duas entradas ao vivo de repórteres que traziam informações de onde estavam naquele momento. As músicas, juízo de valor à parte, surpreendiam a cada execução. A experiência de um estudante de jornalismo vivenciando de perto esses momentos pode ser compreendida se imaginarmos como seria para um cardiologista adentrar um coração. A comparação pode ser tosca, mas visualizar seu objeto de estudo do lado de dentro, conhecer suas partes e funções confere-nos uma maior segurança e conhecimento ao tratar do assunto.

Ainda absortos com as relíquias cheias de história que compõem a estrutura física da rádio Araripe, por sinal a primeira rádio do interior do Ceará, deparamo-nos, já de saída, com mais um de seus funcionários. Roberto lançou-nos voluntariamente seu desabafo, carregado de nostalgia e previsões de um futuro próximo. Senti implicitamente uma passagem de responsabilidade para nossas mãos, afinal estamos na universidade para aprender aquilo que ele já faz há tantos anos. O discurso que ele proferiu é um sintoma da oralidade que dá sentido a existência de uma rádio. É através de uma palavra, de uma canção, que se tem o poder de abrir esse universo por ele citado. Realmente Roberto, “o rádio é muito mágico”.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Editando o editor

Professor Anderson Sandes
Foto: Ricardo Salmito
Dando continuidade às atividades de mapeamento da comunicação no Cariri, começaremos a planejar a abordagem dos meios impressos. Para tanto, assim como no rádio, precisaremos de uma base teórica antes da ida à campo.

O professor Ms. José Anderson Sandes, da disciplina de Jornalismo Impresso, dará sua contribuição ao projeto relatando sua experiência como editor do Caderno 3 do Jornal Diário do Nordeste, cargo no qual permaneceu durante 28 anos.

Dia: 24/05
Horário: 14h30min
Local: Solar Maria Olímpia, em Barbalha.