domingo, 30 de outubro de 2011

Pré-mapeamento das TVs

Professor Paulo Eduardo e monitores (Foto: Ricardo Salmito)  
Estamos chegando à última etapa do mapeamento de mídias planejado para o ano de 2011. As TVs da região metropolitana do Cariri serão mapeadas durante o mês de novembro. Para tanto, assim como foi feito com os veículos anteriores (rádios e impressos), passamos antes por uma orientação teórica.

Recebemos a visita do professor Paulo Eduardo Cajazeira, do curso de Jornalismo da UFC-Cariri, para uma conversa acerca de alguns aspectos da TV. O professor Paulo leciona a disciplina de Telejornalismo e tem experiência profissional na área.

Durante a visita, apresentamos ao professor o andamento do Projeto de Mapeamento e conversamos sobre algumas questões que o mesmo considera importante serem analisadas durante o processo de visita aos veículos televisivos.

Posteriormente, discutimos dois textos e produzimos o questionário a ser utilizado. Em breve marcaremos as vistas e iremos a campo para a produção dos relatórios.

Quem lê alguma notícia?


Devo confessar publicamente. Antes mesmo de chegar ao Cariri, onde vim morar ano passado, vivia um dilema: como seria ser professor de jornalismo impresso numa região que não tem um jornal impresso diário? Já supunha e rapidamente minha suposição se confirmou: a esfera pública midiática caririense é, sobretudo, o rádio. O dilema ainda não se dissipou em mim se é que dissipar é o verbo correto quando nos referimos a resolver nossas questões pessoais.

Algumas percepções sobre o hábito da leitura foram se consolidando à medida que comecei a entender o ritmo e a dinâmica locais. Realmente a região não tem um jornal diário e, consequentemente, não tem o hábito da leitura diária de jornais. Isso mostra que a área de influência dos jornais “da capital” é bem menor do que se pode supor, circunscrevendo-se realmente a uma pequena parte da população cearense, majoritariamente localizada em Fortaleza (ouso dizer que localizada nos bairros de classe média e alta). Sua distribuição no Cariri é irregular e o horário de circulação lembra a famosa frase “jornal que chega tarde na banca só serve para embrulhar tomate na feira”. 

Sempre pergunto qual a frequencia diária com que os alunos lêem jornais e especificamente o que lêem. A maioria não se envergonha em admitir que o jornal impresso não faz, nunca fez e, ao que tudo parece, nunca fará parte da vida deles. Mas essa admissão traz um adendo: os jornais, para a maioria, são desinteressantes, distantes de suas realidades, acríticos e em nada acrescentam para suas vidas. Quem vem primeiro? O ovo ou a galinha? Já em relação ao que lêem, fica evidente que a internet bate fácil qualquer concorrência, mas essa leitura não se concentra necessariamente nas versões digitais dos jornais.

Enquanto em boa parte do mundo o debate é sobre o desaparecimento dos jornais no século XXI, o debate no Cariri (apesar de o primeiro jornal juazeirense ter circulado em 1909) é sobre se um dia eles passarão a ter relevância no seu dia-a-dia. Espero conseguir avançar essa reflexão em outros posts ainda sobre a leitura dos jornais, revistas e outros meios impressos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Monitores apresentam trabalhos no III Encontro Universitário da UFC Cariri

O III Encontro Universitário da UFC Campus Cariri teve início nessa terça-feira (26/10) com apresentações de trabalhos na forma oral.

As monitoras Naiara Carneiro e Débora Costa, orientadas pelo professor Ricardo Salmito, apresentaram os respectivos trabalhos:
  • Comunicação no Cariri: um estudo de caso sobre a Rádio Barbalha FM
  • Um estudo sobre as relações da Rádio Araripe de Crato-CE com a política e a religião.
A noite, será a vez do monitor Antonio Pinheiro, orientado pelo professor Luis Celestino, com o trabalho:
  • Práticas Comunicacionais no Cariri: uma análise das rádios de Barbalha.
Amanhã (27/10), no período matutino, a monitora Camila Brito, também orientada pelo professor Celestino, apresentará o trabalho:
  • Uma análise sobre as rádios do Crato.
Ainda no dia 26/10 (quarta-feira) haverá a apresentação do pôster :
  • Projeto de Mapeamento das Práticas Comunicacionais da Região Metropolitana do Cariri.
O pôster foi feito em co-autoria pelos quatro monitores do projeto e estará disponível para apresentação a partir das 18h30min, até as 20h30min.

As 14h30min da quarta-feira os monitores e professores participarão de um debate sobre Universidade, Conhecimento e Cultura com a Profª. Drª. Inês Sampaio.

domingo, 23 de outubro de 2011

O papel que nos cabe

Desde que o trabalho do mapeamento das mídias do Cariri cearense se iniciou, foi ficando cada vez mais evidente a importância de um curso de Comunicação Social na região. Com a proximidade da conclusão dos trabalhos, chegam momentos de reflexão, avaliação e revisão do que até agora tem sido observado.

Não há um jornalista sequer com formação de nível superior atuando em qualquer das emissoras de rádio, sejam elas educativas, comunitárias ou abertamente comerciais. Sendo o rádio ainda o veículo mais influente entre a população caririense, pela sua penetração e audiência, não é arriscado afirmar que há necessidade de uma qualificação maior daqueles que são responsáveis muitas vezes por serem a única fonte de informação na vida de milhares de pessoas.

Este dado se torna alarmante quando cruzado com o dado da pertença da propriedade dos veículos, ainda majoritariamente nas mãos de políticos e de igrejas (sim, isso mesmo, de igrejas!), o que influencia uma programação pouco diversificada e, frankfurteanos à parte, alienante.

Lembro de ter sido entrevistado por um repórter de um desses programas de rádio de grande audiência local (o horário nobre por aqui é o meio-dia) e o jovem simplesmente não trazia qualquer pergunta formulada facultando a mim dizer o que quisesse. Um diálogo surreal se estabeleceu a partir de então.

Recordo-me ainda dos debates acontecidos após a apresentação de uma das bolsistas do projeto – a competentíssima Débora Costa – no congresso da Intercom em Recife em setembro. Quando apresentou a realidade das rádios caririenses, a partir de um estudo de caso específico, acabou ouvindo de estudantes de diferentes estados do Brasil a informação de que havia retratado algo que era semelhante país afora.

Esses breves relatos acenderam em mim e em meu colega coordenador do projeto, Ricardo Salmito, a necessidade de criação de uma disciplina para o curso que discuta a realidade da comunicação local. Da mesma forma, será necessário abrir um debate em todo o curso sobre os estágios em veículos que não detêm jornalistas em seus quadros. Estamos diante de um dilema: permitimos aos alunos o estágio nesses locais acreditando na mudança a partir da presença deles; ou evitamos a presença deles diante de uma possível distorção da formação já que não haverá um acompanhamento de um profissional qualificado?

A primeira parte do trabalho de mapeamento deve ser concluída em dezembro. Ainda falta um bom pedaço de caminho para mapearmos todos os veículos e práticas comunicacionais locais, mas fica em mim a convicção cada vez maior da contribuição do curso de Jornalismo – tão maltratado pela falta de planejamento dos gestores da Universidade – para uma melhor comunicação da região.

Luis Celestino
Jornalista, coordenador do curso de Comunicação Social da UFC Cariri e autor do livro “A Fome na Imprensa”.